14/05/2012


XIII















“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”
E eu vos direi:”Amai para entende-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas”.

(Olavo Bilac)
- Referência poética enviada por Daniel Palacios

07/05/2012

SARAU:
Grande Encontro - Sérgio Vaz e Marcos Pezão 
na Virada Cultural

  





































03/05/2012

SÉRIE MINICRÔNICAS PAULISTAS

Todo dia um amor começa e outro termina...
No mesmo banco de praça eu vi um casal em prantos terminando o relacionamento, enquanto ao lado um outro inicia uma nova paixão num beijo ardente e tentador.
A vida é assim...e nesse sentido enviezado seguimos a vida.
Onde um chora outro ri, e onde outro ri um chora
A desbalança das vontades.
Tudo flutuando no daqui a pouco......(Barcos sem culpas)
Tudo encontrando destino próprio...(Buracos de gente)
E a pergunta fica: Onde isso vai chegar conosco? (Portos sem farois)
Cada brecha é uma fechadura.
Todo final é uma porta...para um novo começo nos confins das janelas...


(Eduardo Monga)

02/05/2012

FACA

"Soft Construction with Boiled Beens"
Salvador Dali

















  



Faca que corta
faca que assola
e pesa na alma,
essa faca de lentes agudas,
feito faca amolada pra degolar... e emoldurar
mentes pensantes envoltas de vidas em voltas...
sem voltas...
a menos que, por um segundo
você pare!!!
e veja e, olhe e, observe atentamente
o mundo à sua volta e as suas voltas...
e volte -se, aceite-se, submeta-se
a Si.
E faça a faca foder-se!!!


(Daniel Palacios)

26/04/2012

FAÇA

Faça poesia
Faça canção
Faça magia
Faça teatro
Faça uma dança
um gesto-emoção.

Faça amor...com força e vontade
mas faça com Amor
e corte e, pulse e sangre...
e, não importa o que saia
será sempre com gosto,
mesmo que seja sem rosto...
mas com o coração.


(Daniel Palacios)
NINFAS, ELFOS E FADAS

Fim de tarde...
um frio que aquece, entorpece
aquele frio de arrepio que chega rasgando
na nuca dos olhos dos homens
e das fadas...
Nuas como nunca...música!!!
Ninfas almas aladas
e elfos.


(Daniel Palacios)

19/04/2012

POEMA DO CHÃO QUE SOU















Há-me um chão
Um chão preso no meu olho
Para por os pés de minhas palavras
... Uma imagem marrom de chão
Um chão marrom de mim mesmo
Negro marrom
Um marrom de mata
Tão chão quanto o vermelho do meu barro infantil
Do meu lixão-brinquedo infantil
Do cheiro adulto de queimadas
E amarelo-chão, às vezes
Quando se resolvia, sem prenúncio
Escorrer da barreira com papelão na bunda
Mania de chão: a brincadeira de sê-lo
O chão de sempre, até que sempre seja
O chão de andar: pedaço do trabalho
O chão, que arado produz
E sai o milho, o feijão
Sai o trigo, nasce flor
O chão fértil, marrom de mim mesmo
De ser chão seu as costas do homem
E que dali pesa os anos
E fica as marcas dos tempos
O chão marrom de mim
A segurar as raízes dos pensamentos
A brotar ideias: Fruto poema
Da mesma cor verde-chão que faz surgir também o açúcar da cana
O milho amarelo de nossos medos
O urucum vermelho de nossa coragem
Um chão de homem de chão
Que faz de si a terra, o barro, a cama
A lama humana de ser onde se pisa
De ser de onde se pisa
De se pisar muitas vezes de onde não se é
Chão nosso de cada dia
Chão humano que somos nós de nossos medos
Um marrom medo nascido na terra fértil
Do chão que muitas vezes não queremos ser
Lembranças de quando fomos plantados no mundo
Para ser tão único com o lugar
Nascido daqui
Aquele menino
Esse cara: Marrom-terra que é isso tudo nele
Vai...
Vai plantar ideias no solo do teu mundo, homem de chão
Que é por onde as pedras deste teu chão choram.

(Eduardo Monga)

10/04/2012

ADENTRO, CHUVA!





















Desafogar extremos
fluir doces deleites, fantasias
escoar venenos, vendavais
com taças de vinagre e pimenta
da vida bebida, engasgada na alma
derramar livres vertigens

em transe, apalpar sensações
desentranhar suspiros vitais
e gotejar, correr em fio
o que não mais cabe
desse peito berrante pulsante
deixar vazar, embriaguez

com rabiscos dançantes
meus intrínsecos líquidos
jorrados nas grafias
ora tsunamis, raios e trovões
ora luz, rios infindáveis de feitiços
todos, sempre, aguaceiros de mim.

(Flávia Soufer)
POESIA BOÊMIA

Uma tarde, um calor
dois copos, dois corpos
uma paixão que arde
uma dor que só o amor consola...

Com sorte fujo da morte,
atravesso paredes
e, através de canções,
chego aos corações.
Chuvas de ácidas águas,
se transformam em monções...

Um corpo que pulsa,
pulsares pulsantes,
cravos e rosas,
canções dos amantes.

A dor que anuncias
e a traz em seus braços,
são mortes morridas,
venceu o cansaço.

E no peito um aperto,
deixando um vazio,
uma terra árida,
que ao ser arada,
traz vento, traz pó
e traduz sentimentos
de dentro da alma,
da alma encarnada,
de escuras moradas,
de mortes matadas
e vidas vividas,
assim...
para o nada.

(Daniel Palacios)

09/04/2012

DESEJO

Desejo...
curar teus lábios
beijar destroços...
colar cada pedaço de tua alma nua, como nunca...
com a língua...
e, percorrer teu corpo...
e a cada leve toque do teu gosto,
na brancura do teu rosto,
e nos teus cabelos negros, me enfeitiçar...
e me esconder diante de ti
no escuro breu de minha alma
que ao despertar diante de seu abismo...
se revelará...
sinistro...
como um bando de emoções no caos
estrelas e paixões perdidas,
naves e naus no espaço
cibernético e cósmico de si-mesmo,
universos de versos esquecidos,
à procura de um encontro...
e o que era luz se faz de sombras
e ao que assombra, ardendo em chamas...Luz!!!


(Daniel Palacios)

05/04/2012

PULSAR

Poesia que pulsa no coração
sentindo no oco da alma um vazio...
e, no corpo das cordas do violão,
dedilhando uma triste canção,
lá está ela...bela donzela...linda....
a Solidão.


(Daniel Palacios)

03/04/2012

ÁRIA

Áridas, paixões caladas
em desertos mudos
de surdas árias de canções.
Quem há de ouvir a minha voz
senão eu mesmo,
a ecoar por entre os cantos,
febril ardendo em prantos
entristecido e melancólico,
em fúria na mais plena e pura
melodia da minha alma,
sedento de luz e de calor?


(Daniel Palacios)

22/03/2012

OUTRO OUTONO

Outono é partida.
É calar-se, despir-se.
Outono é silêncio.
É romance, é poesia.

É estar no aconchego.
É o fechar das cortinas
para abrir, dentro de si,
suas próprias janelas.

Outono é a saudade
num copo de uísque.
É um pedaço que vai
para que outro venha.

Outono é meio amarelo,
meio marrom, meio laranja.
Cores caem, deslizam
pelo chão novos horizontes.

Outono é espera,
é ler as entrelinhas pelo ar.
Outono é busca e esperança,
é o mais profundo da alma.

Outono é canção úmida.
Escuro vento que seduz.
Outono é renascer
quando tudo parece morrer.

(Flávia Soufer)
ANNABEL LEE


Há muitos, muitos anos, existia
num reino à beira-mar
uma virgem, que bem se poderia
Annabel Lee se chamar.

Amava-me, e seu sonho consistia
em ter-me para a amar.
Eu era criança, ela era uma criança
no reino à beira-mar;

mas nosso amor chegava, ó Annabel Lee
o amor a ultrapassar,
o amor que os próprios serafins celestes
vieram a invejar.
       
Foi por isso que há muitos, muitos anos,
no reino à beira-mar,
de uma nuvem soprou um vento e veio
Annabel Lee gelar.

E seus nobres parentes se apressaram
em de mim a afastar,
para encerrá-la numa sepultura,
no reino à beira-mar.
      
Os anjos, que não eram tão felizes,
nos vieram a invejar.
Sim! Foi por isso (como todos sabem
no reino à beira-mar)
       
que um vento veio, à noite, de uma nuvem
Annabel Lee matar.
Mas nosso amor, o amor dos mais idosos,
de mais firme pensar, podia ultrapassar.
       
E nem anjos que vieram nas alturas,
nem demônios do mar,
jamais minha alma da de Annabel Lee
poderão separar.
        
Pois, quando surge a lua, há um sonho que flutua,
de Annabel Lee, no luar;
e, quando se ergue a estrela, o seu fulgor revela
de Annabel Lee o olhar;
       
assim, a noite inteira, eu passo junto a ela,
a minha vida, aquela que amo, a companheira,
na tumba à beira-mar,
junto ao clamor do mar.

 
(Edgar Allan Poe, tradução de Fernando Pessoa.)
- Referência poética enviada por Flávia Soufer

09/03/2012

AOS PEDAÇOS...DE MIM

A mulher, tão bela Deus a fez em sua carne
que de Adão e da tal costela, mal consigo me lembrar da esfera,
só me lembro das mil faces das pagãs Afrodite, Hera, Perséfone, Lilith e Eva.

Lembro somente das tuas curvas que um dia
tive ao meu lado por prazer em minha cama
dos crimes que cometemos e, das juras de amor que me fazias.

Insano, venho eu a me perder em minhas memórias
no doce mel que de tua gruta úmida escorria...
e me ofertava, banhando-nos em gozos de paixão e de luxúria.

Mulher...ó, mulher... que dos teus beijos
guardo somente o gosto amargo e a desventura
de percorrer-me todo no teu corpo, rio de almas nuas e impuras.

Me perdendo na imensidão de teus e meus desejos
encontrei-me qual cego tateando, a mais bela flor e o espinho
e me cortei...e, por certo hoje sei... não há nem mapa, nem caminho.

Uma esfinje, que a quem olha, em pedaços...se lhe devora
ante o abismo de léguas e mil léguas submarinas
entre lâminas de lendas infinitas e estórias incontadas.

E, se algum dia ainda hei de entender que bicho é esse,
será quando a morte vir beijar a minha fronte
e tu serás para mim, ainda mais vã, mais bela e doce.

Espero-te, teus sussurros a profanar meu túmulo e irromper a minha paz
pois de mim mesmo já parti e, o meu resto, em ruínas aqui jaz,
só restando ao pó do tempo as romãs e as heras ...ó pedaços de mim.


(Daniel Palacios)