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19/07/2013

NOTURNO

É de noite que meu coração bate
entre as horas mais brandas das trevas
aonde todo corte é profundo...aonde arde...

Aonde o gemido da dor é o que sente
por onde corre o sangue das veias
aonde há morte, aonde há lodo...aonde fede...

Aonde, até aonde o podre da carne
por onde vazam as entranhas das ceias
se desdobra, até aonde enlouquecido se chegar no cerne...

E ao corroer-se, comove-se e bebe
num único gole a fina fatia da vida...
e toma-a, perturba-a e a dissolve...

Na fria calada da noite...
Aonde a escuridão é humana...
Aonde a água da chuva te inunda e te aquece...

Na crua quietude da noite...
Aonde a luz da lua ilumina...
Aonde há sombras e, a psique da alma enlouquece...

(Daniel Palacios)

17/01/2013

ANTEVISÃO

sou todo... em partes
fragmentos de matéria prima
fartos de mim mesmo
aonde petrifico, morro e vivo
ao acaso do acaso do acaso...
em nada fico...passo!!!
por mim mesmo e vou...

(Daniel Palacios)

CORDAS DO CORAÇÃO

Cordas do coração,
ah...esse comboio!!!
invadindo a noite,
e alimentando as feras...
que vivem soltas por debaixo dos panos...
prontas para saltar por fora da boca...
arrepiando os pêlos da nuca,
os dentes à mostra...de dor, a canção...

Corte entre meu peito aberto,
coberto de pus, de sangue, de ácido
inundando o vermelho de paz...
acalentando o pranto de menino,
que de tanto chorar,
nem soa tão só...Homens!!!
Crianças de uma Terra insólita,
agonizando em Caos!!!

Como se, entre as ondas da solidão,
os cantos distantes das águas,
ocultassem algum cadáver...
quebrando e batendo nas rochas de sal...
esculpindo com ventos os fósseis que tangem...
uns com os outros...trazendo mensagens...

Cordas que vão se rompendo,
ferrugem, vento e cada vez mais sal...                  

(Daniel Palacios)

02/05/2012

FACA

"Soft Construction with Boiled Beens"
Salvador Dali

















  



Faca que corta
faca que assola
e pesa na alma,
essa faca de lentes agudas,
feito faca amolada pra degolar... e emoldurar
mentes pensantes envoltas de vidas em voltas...
sem voltas...
a menos que, por um segundo
você pare!!!
e veja e, olhe e, observe atentamente
o mundo à sua volta e as suas voltas...
e volte -se, aceite-se, submeta-se
a Si.
E faça a faca foder-se!!!


(Daniel Palacios)

26/04/2012

FAÇA

Faça poesia
Faça canção
Faça magia
Faça teatro
Faça uma dança
um gesto-emoção.

Faça amor...com força e vontade
mas faça com Amor
e corte e, pulse e sangre...
e, não importa o que saia
será sempre com gosto,
mesmo que seja sem rosto...
mas com o coração.


(Daniel Palacios)
NINFAS, ELFOS E FADAS

Fim de tarde...
um frio que aquece, entorpece
aquele frio de arrepio que chega rasgando
na nuca dos olhos dos homens
e das fadas...
Nuas como nunca...música!!!
Ninfas almas aladas
e elfos.


(Daniel Palacios)

10/04/2012

POESIA BOÊMIA

Uma tarde, um calor
dois copos, dois corpos
uma paixão que arde
uma dor que só o amor consola...

Com sorte fujo da morte,
atravesso paredes
e, através de canções,
chego aos corações.
Chuvas de ácidas águas,
se transformam em monções...

Um corpo que pulsa,
pulsares pulsantes,
cravos e rosas,
canções dos amantes.

A dor que anuncias
e a traz em seus braços,
são mortes morridas,
venceu o cansaço.

E no peito um aperto,
deixando um vazio,
uma terra árida,
que ao ser arada,
traz vento, traz pó
e traduz sentimentos
de dentro da alma,
da alma encarnada,
de escuras moradas,
de mortes matadas
e vidas vividas,
assim...
para o nada.

(Daniel Palacios)

09/04/2012

DESEJO

Desejo...
curar teus lábios
beijar destroços...
colar cada pedaço de tua alma nua, como nunca...
com a língua...
e, percorrer teu corpo...
e a cada leve toque do teu gosto,
na brancura do teu rosto,
e nos teus cabelos negros, me enfeitiçar...
e me esconder diante de ti
no escuro breu de minha alma
que ao despertar diante de seu abismo...
se revelará...
sinistro...
como um bando de emoções no caos
estrelas e paixões perdidas,
naves e naus no espaço
cibernético e cósmico de si-mesmo,
universos de versos esquecidos,
à procura de um encontro...
e o que era luz se faz de sombras
e ao que assombra, ardendo em chamas...Luz!!!


(Daniel Palacios)

05/04/2012

PULSAR

Poesia que pulsa no coração
sentindo no oco da alma um vazio...
e, no corpo das cordas do violão,
dedilhando uma triste canção,
lá está ela...bela donzela...linda....
a Solidão.


(Daniel Palacios)

03/04/2012

ÁRIA

Áridas, paixões caladas
em desertos mudos
de surdas árias de canções.
Quem há de ouvir a minha voz
senão eu mesmo,
a ecoar por entre os cantos,
febril ardendo em prantos
entristecido e melancólico,
em fúria na mais plena e pura
melodia da minha alma,
sedento de luz e de calor?


(Daniel Palacios)

09/03/2012

AOS PEDAÇOS...DE MIM

A mulher, tão bela Deus a fez em sua carne
que de Adão e da tal costela, mal consigo me lembrar da esfera,
só me lembro das mil faces das pagãs Afrodite, Hera, Perséfone, Lilith e Eva.

Lembro somente das tuas curvas que um dia
tive ao meu lado por prazer em minha cama
dos crimes que cometemos e, das juras de amor que me fazias.

Insano, venho eu a me perder em minhas memórias
no doce mel que de tua gruta úmida escorria...
e me ofertava, banhando-nos em gozos de paixão e de luxúria.

Mulher...ó, mulher... que dos teus beijos
guardo somente o gosto amargo e a desventura
de percorrer-me todo no teu corpo, rio de almas nuas e impuras.

Me perdendo na imensidão de teus e meus desejos
encontrei-me qual cego tateando, a mais bela flor e o espinho
e me cortei...e, por certo hoje sei... não há nem mapa, nem caminho.

Uma esfinje, que a quem olha, em pedaços...se lhe devora
ante o abismo de léguas e mil léguas submarinas
entre lâminas de lendas infinitas e estórias incontadas.

E, se algum dia ainda hei de entender que bicho é esse,
será quando a morte vir beijar a minha fronte
e tu serás para mim, ainda mais vã, mais bela e doce.

Espero-te, teus sussurros a profanar meu túmulo e irromper a minha paz
pois de mim mesmo já parti e, o meu resto, em ruínas aqui jaz,
só restando ao pó do tempo as romãs e as heras ...ó pedaços de mim.


(Daniel Palacios)

22/02/2012

ANIVERSÁRIO

Se eu tivesse coragem suficiente,
para mostrar ao mundo quem sou,
não pensaria na dor de dente,
que em meu ciso agora pousou.

Se eu fosse talvez mais covarde,
do que hoje talvez já eu sou,
não fosse talvez menos homem,
da voz em que meu eco ecoou.

Se a roupa dos panos que visto,
servissem pra cobrir quem escondo,
não teria me avistado eu nú,
homem-besta vazio de sentidos.

Se eu sentisse talvez pouco ou muito,
as sutilezas deste mistério profundo,
talvez desejasse sincero e pudesse talvez ficar perto,
deste oco que me trouxe no mundo.

Trinta e três anos de vida,
agruras da lida e da dor,
mas também fé e alegria,
em algum canto ela está e, eu estou.

Respiro este ar poluído,
porque dele também parte faço,
em minhas tripas me agarro e vomito,
o que ontem eu era e hoje sou.

Homem de máquina grito,
o silêncio de um homem robô,
assombro, pavor, calafrio,
é apenas ausência do amor.

E se hoje eu clamo às estrelas,
é porque nelas eu vejo a luz,
mortas à espera do caos,
daquilo que um dia eu já fui.

Muro de escombros pesados,
que já pesaram toneladas demais,
não sei como comigo lhe trago,
até não poder nunca mais.

Melhor esquecer do passado...
mas como se dentro ele vive,
se dói, se corrói, carcomido
maldito em minha dor de dente?

(Daniel Palacios)

14/02/2012

DANÇA DO SOLILÓQUIO DOS VENCIDOS

Perdido em minhas andanças
quase que como um náufrago,
trafego nesta rua escura chamada esperança.
Esperando não sei o que... talvez algo ou alguém para lutar...
pra que? por que? e por quem?

Se fui, ou se sou eu, já não sei mais,
mas aqui estou para me dizer...
frente a frente de mim mesmo...
que fui... e, voltei há pouco...
e, sim, EU SOU...sou eu mesmo... somente isso!

Venhas me ver,
não tenhas medo de se me olhar no espelho...
Eu sou você...você sou eu
E de mãos dadas, na madrugada....
dançamos a dança do solilóquio dos vencidos.

(Daniel Palacios)

16/01/2012

DA LIBERDADE EM MOVIMENTO

Crescendo... pulsando a célula ritmica,
é que meu corpo sente a trajetória,
de algo que foi..., mas que ainda está por vir...

Ruminando...rusgas de meu passado,
é que calo com a voz de meus ecos,
e sinto algo que vai...e, que está prestes à explodir...

Roendo...como fazem os ratos,
é que trago no peito o chiado,
e sinto algo que cai... e, que um dia há de cair...

Tragando...na fumaça do mato,
é que vem o desejo de fato,
de um dia ser livre para ver e ouvir...

Sons, cores, gestos, amores...

(Daniel Palacios)

21/12/2011

O QUE É POESIA? (III)

Foi num curso de poesia,
minha mente veio estralar
coça-coça que saía,
uma palavra em algum lugar.

Conheci gente bonita,
pessoas que o mundo dá,
poetas, poetisas
da arte de versejar...

Pois como disse o professor
Poesia, de guardada já não fica,
pois é só distribuir-se em amor,
versejando a cada esquina.

E agora que me lembro,
da pergunta de outrora,
quando? o que ? e como?
Do que é feita a poesia?

E aqui de novo eu vou,
nestas águas mergulhar,
como quem tenta e, em vão tentou,
seus mistérios destrinchar.

Poesia é tudo o que se imagina,
e o que se tem mais pra imaginar,
vazio traçado no nada,
que do nada se faz criar.

Poesia, transita em minhas veias
faz meu cérebro oxigenar,
Poesia, puro ar que respiras,
Plenos, pulmões a encontrar!!!

(Daniel Palacios)
O QUE É POESIA? (II)

Como tudo tem um começo
também deve ter um fim
uns vivem comendo grama,
outros tantos comem capim.

Uma quadrinha ligeira,
que o ano vai terminar
ano sai e ano entra,
vamos logo festejar!!!

Já se vai dois mil e onze,
e o doze já vai chegar,
e o disse que me disse,
só se faz por aumentar...

mas deixando isso de lado,
e tudo que tem que se deixar,
para a entrada do ano,
que logo, logo vai entrar...

vamos aqui brindar a ele
e a tudo que tem que se brindar,
quem quiser faça uma prece,
e não se esqueça das promessas...
Aos encontros e partidas
boas vindas demos à
desencontros e cheganças,
Boa sorte desejar!

(Daniel Palacios)

16/12/2011

FOME

Antes de hoje...ontem,
Algo ficava distante.
No vácuo, fiquei também...
Como alguém que caminha errante.
Pela estrada que já passei,
Agora passo novamente,
Só para contigo ter,
Em meu corpo, entre meus dentes.

(Daniel Palacios)
BOA VIAGEM

De Sol em Sol à pino o dia se faz claro,
Atrás dos montes com uma pá,
Ele cava sua cova,
E se põe atroz como raíz em sua semente,
Que nasce e morre como a gente.
Mas não se engane...
Não é que Ele seja mau....
É que, por ser,o ser humano raso e mesquinho,
É lá, no âmago de sua verdade
Que Ele diz...
Adeus, adeus...
Boa viagem!

(Daniel Palacios)
NARCISO

O meu retrato em oceano vejo,
Tal qual pedra em fundo de rio corrente.
Do deserto em que me laço,
Desperto...
E no espelho quebrado,
Em pedaços...
Me acho e me junto em faca,
Que corta minha dor e a separa
Em quantas cartas for,
Estradas de minha alma.

(Daniel Palacios)
O QUE É POESIA?

Piar dos pássaros
E a “porra”, com o perdão da palavra...
Do escapamento dos carros
Que enfumaça meu cérebro vivo,
E percorre meu corpo no ritmo
Mas não é essa fumaça que quero,
E sim, àquela em que meu corpo penetra
E a minha alma liberta.
Bora enfumaçar?

(Daniel Palacios)