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19/01/2012

UMA BORBOLETA

Uma borboleta pousou em meu ventre.
Dissimulada, fez de brincar e cedi.
Refletida no olhar, assimilou meus sonhos e foi embora feliz.
(Rafael Bacciotti)

16/01/2012

Bateu uma vontade de disparar, atirar mesmo. Não quero matar ninguém, não me leve a mal. Mas preciso disso.
Jogar tudo que está do lado de dentro para o lado de fora, sem medo. 
Como tudo que é velho, que se acumula, meus sentimentos ficam guardados no fundo de um armário. 
E com o passar do tempo, como objetos, ficam empoeirados.
Descobri só agora, com sua ajuda, que isso faz mal, depois de tanto tempo...
Como? Como alguém que já sofre de rinite não se deu conta?
 
(Rafael Bacciotti)

14/12/2011

UTOPIA

Faço a revolução com a colher de pau. E com o bicho pegando, e com o fogo estalando e com o caldo queimando, mexo, remexo, tiro e deixo só aquilo que nos convém.

(Rafael Bacciotti)
ENTENDENDO O AMOR

O que foi conjugal gastou, e agora agoniza, e goteja, na sua cadência, a solidão que caracteriza o amor.

(Rafael Bacciotti)
Trabalha, vai e volta, se irrita e se cansa. Mal se sustenta, pouco se alimenta, e assim continua em pé e não em pó.
(Rafael Bacciotti)
Palhaço posto no deserto.
Verdade calada, muda, alegria que se dissipou e perdeu o som.
(Rafael Bacciotti)
O espelho do velho quarto lhe apresenta o rosto de um desconhecido. Parte para o deserto, onde caminha sem pretensão de respostas, feito uma corrente que se liberta do oceano e passa a ter vida própria, seguindo irracionalmente para outra direção. O laço umbilical que se rompe, de modo que o retrato e a carta não dizem mais nada.  A pedra no caminho se esvai, como o gume da faca que perdeu o fio. A estrada está agora desimpedida.
(Rafael Bacciotti)
Poesia é a transformação do cotidiano em algo mais palatável.
É o abandono de uma rotina invisível.
(Rafael Bacciotti)