DEUSA MÃE
Aquela das águas e das rosas
Aquela dos ventos e das brisas
Aquela das raízes e das terras férteis
Aquela dos fogos que aquecem e iluminam
Aquela dos segredos e dos medos
Aquela das tempestades intensas
Aquela dos suspiros infindos
Aquela das viagens insólitas
Aquela dos versos líricos
Aquela das magias das liras
Aquela dos tsunamis e dos redemoinhos
Aquela dos mistérios beijáveis
Aquela das festas das ervas
Aquela dos horizontes e das margens
Aquela dos perfumes interiores
Aquela dos vultos dançantes
Aquela dos sorrisos sagrados
Aquela que vem e que salva.
(Flávia Soufer)
29/10/2012
05/10/2012
MINHA CABEÇA ESTREMECE
Minha cabeça estremece com todo o esquecimento.
Eu procuro dizer como tudo é outra coisa.
Falo, penso.
Sonho sobre os tremendos ossos dos pés.
É sempre outra coisa, uma
só coisa coberta de nomes.
E a morte passa de boca em boca
com a leve saliva,
com o terror que há sempre
no fundo informulado de uma vida.
Sei que os campos imaginam as suas
próprias rosas.
As pessoas imaginam os seus próprios campos
de rosas. E às vezes estou na frente dos campos
como se morresse;
outras, como se agora somente
eu pudesse acordar.
Por vezes tudo se ilumina.
Por vezes sangra e canta.
Eu digo que ninguém se perdoa no tempo.
Que a loucura tem espinhos como uma garganta.
Eu digo: roda ao longe o outono,
e o que é o outono?
As pálpebras batem contra o grande dia masculino
do pensamento.
Deito coisas vivas e mortas no espírito da obra.
Minha vida extasia-se como uma câmara de tochas.
- Era uma casa - como direi? - absoluta.
Eu jogo, eu juro.
Era uma casinfância.
Sei como era uma casa louca.
Eu metias as mãos na água: adormecia,
relembrava.
Os espelhos rachavam-se contra a nossa mocidade.
Apalpo agora o girar das brutais,
líricas rodas da vida.
Há no esquecimento, ou na lembrança
total das coisas,
uma rosa como uma alta cabeça,
um peixe como um movimento
rápido e severo.
Uma rosapeixe dentro da minha ideia
desvairada.
Há copos, garfos inebriados dentro de mim.
- Porque o amor das coisas no seu
tempo futuro
é terrivelmente profundo, é suave,
devastador.
As cadeiras ardiam nos lugares.
Minhas irmãs habitavam ao cimo do movimento
como seres pasmados.
Às vezes riam alto. Teciam-se
em seu escuro terrífico.
A menstruação sonhava podre dentro delas,
à boca da noite.
Cantava muito baixo.
Parecia fluir.
Rodear as mesas, as penumbras fulminadas.
Chovia nas noites terrestres.
Eu quero gritar paralém da loucura terrestre.
- Era húmido, destilado, inspirado.
Havia rigor. Oh, exemplo extremo.
Havia uma essência de oficina.
Uma matéria sensacional no segredo das fruteiras,
com as suas maçãs centrípetas
e as uvas pendidas sobre a maturidade.
Havia a magnólia quente de um gato.
Gato que entrava pelas mãos, ou magnólia
que saía da mão para o rosto
da mãe sombriamente pura.
Ah, mãe louca à volta, sentadamente
completa.
As mãos tocavam por cima do ardor
a carne como um pedaço extasiado.
Era uma casabsoluta - como
direi? - um
sentimento onde algumas pessoas morreriam.
Demência para sorrir elevadamente.
Ter amoras, folhas verdes, espinhos
com pequena treva por todos os cantos.
Nome no espírito como uma rosapeixe.
- Prefiro enlouquecer nos corredores arqueados
agora nas palavras.
Prefiro cantar nas varandas interiores.
Porque havia escadas e mulheres que paravam
minadas de inteligência.
O corpo sem rosáceas, a linguagem
para amar e ruminar.
O leite cantante.
Eu agora mergulho e ascendo como um copo.
Trago para cima essa imagem de água interna.
- Caneta do poema dissolvida no sentido
primacial do poema.
Ou o poema subindo pela caneta,
atravessando seu próprio impulso,
poema regressando.
Tudo se levanta como um cravo,
uma faca levantada.
Tudo morre o seu nome noutro nome.
Poema não saindo do poder da loucura.
Poema como base inconcreta de criação.
Ah, pensar com delicadeza,
imaginar com ferocidade.
Porque eu sou uma vida com furibunda
melancolia,
com furibunda concepção. Com
alguma ironia furibunda.
Sou uma devastação inteligente.
Com malmequeres fabulosos.
Ouro por cima.
A madrugada ou a noite triste tocadas
em trompete. Sou
alguma coisa audível, sensível.
Um movimento.
Cadeira congeminando-se na bacia,
feita o sentar-se.
Ou flores bebendo a jarra.
O silêncio estrutural das flores.
E a mesa por baixo.
A sonhar.
(Herberto Hélder in "Ou o Poema Contínuo", 2001)
- Referência poética enviada por Flávia Soufer
Minha cabeça estremece com todo o esquecimento.
Eu procuro dizer como tudo é outra coisa.
Falo, penso.
Sonho sobre os tremendos ossos dos pés.
É sempre outra coisa, uma
só coisa coberta de nomes.
E a morte passa de boca em boca
com a leve saliva,
com o terror que há sempre
no fundo informulado de uma vida.
Sei que os campos imaginam as suas
próprias rosas.
As pessoas imaginam os seus próprios campos
de rosas. E às vezes estou na frente dos campos
como se morresse;
outras, como se agora somente
eu pudesse acordar.
Por vezes tudo se ilumina.
Por vezes sangra e canta.
Eu digo que ninguém se perdoa no tempo.
Que a loucura tem espinhos como uma garganta.
Eu digo: roda ao longe o outono,
e o que é o outono?
As pálpebras batem contra o grande dia masculino
do pensamento.
Deito coisas vivas e mortas no espírito da obra.
Minha vida extasia-se como uma câmara de tochas.
- Era uma casa - como direi? - absoluta.
Eu jogo, eu juro.
Era uma casinfância.
Sei como era uma casa louca.
Eu metias as mãos na água: adormecia,
relembrava.
Os espelhos rachavam-se contra a nossa mocidade.
Apalpo agora o girar das brutais,
líricas rodas da vida.
Há no esquecimento, ou na lembrança
total das coisas,
uma rosa como uma alta cabeça,
um peixe como um movimento
rápido e severo.
Uma rosapeixe dentro da minha ideia
desvairada.
Há copos, garfos inebriados dentro de mim.
- Porque o amor das coisas no seu
tempo futuro
é terrivelmente profundo, é suave,
devastador.
As cadeiras ardiam nos lugares.
Minhas irmãs habitavam ao cimo do movimento
como seres pasmados.
Às vezes riam alto. Teciam-se
em seu escuro terrífico.
A menstruação sonhava podre dentro delas,
à boca da noite.
Cantava muito baixo.
Parecia fluir.
Rodear as mesas, as penumbras fulminadas.
Chovia nas noites terrestres.
Eu quero gritar paralém da loucura terrestre.
- Era húmido, destilado, inspirado.
Havia rigor. Oh, exemplo extremo.
Havia uma essência de oficina.
Uma matéria sensacional no segredo das fruteiras,
com as suas maçãs centrípetas
e as uvas pendidas sobre a maturidade.
Havia a magnólia quente de um gato.
Gato que entrava pelas mãos, ou magnólia
que saía da mão para o rosto
da mãe sombriamente pura.
Ah, mãe louca à volta, sentadamente
completa.
As mãos tocavam por cima do ardor
a carne como um pedaço extasiado.
Era uma casabsoluta - como
direi? - um
sentimento onde algumas pessoas morreriam.
Demência para sorrir elevadamente.
Ter amoras, folhas verdes, espinhos
com pequena treva por todos os cantos.
Nome no espírito como uma rosapeixe.
- Prefiro enlouquecer nos corredores arqueados
agora nas palavras.
Prefiro cantar nas varandas interiores.
Porque havia escadas e mulheres que paravam
minadas de inteligência.
O corpo sem rosáceas, a linguagem
para amar e ruminar.
O leite cantante.
Eu agora mergulho e ascendo como um copo.
Trago para cima essa imagem de água interna.
- Caneta do poema dissolvida no sentido
primacial do poema.
Ou o poema subindo pela caneta,
atravessando seu próprio impulso,
poema regressando.
Tudo se levanta como um cravo,
uma faca levantada.
Tudo morre o seu nome noutro nome.
Poema não saindo do poder da loucura.
Poema como base inconcreta de criação.
Ah, pensar com delicadeza,
imaginar com ferocidade.
Porque eu sou uma vida com furibunda
melancolia,
com furibunda concepção. Com
alguma ironia furibunda.
Sou uma devastação inteligente.
Com malmequeres fabulosos.
Ouro por cima.
A madrugada ou a noite triste tocadas
em trompete. Sou
alguma coisa audível, sensível.
Um movimento.
Cadeira congeminando-se na bacia,
feita o sentar-se.
Ou flores bebendo a jarra.
O silêncio estrutural das flores.
E a mesa por baixo.
A sonhar.
(Herberto Hélder in "Ou o Poema Contínuo", 2001)
- Referência poética enviada por Flávia Soufer
26/09/2012
JUVENTUDE
Grito, por dentro calado
No cerne sinto o ardor
Prostrado em meus devaneios
Permaneço...
Fitando o muramento e discorrendo
Como pôde, o destino ser assim tão atroz
Me alvejando direto no ventre
Com seu olhar angelical
E o sorriso infernal
A brisa, a penumbra, tudo me recorda a ti
Feito truão perco meu comedimento
Obro como néscio, mesmo atinando
Incapaz de evitar, as dúvidas me alagam
Como posso eu, ser pechoso, granjeá-la?
Teria ela desvelo por minha pessoa?
Ou seria apenas um clichê comportamental
Daqueles que exibimos rotineiramente
No caso dela, costumeiramente
Afinal, tal venustidade
Certamente atrai sobejo postulantes
Mas, mesmo que a quimera não torne-se régia
Que o anseio não seja abrandecido
Ei de lembrar-me daquela noite
De teu riso, de seu olhar primoroso
Teus lábios portentosos
E, claro, de teu encantamento
Tua voz, tão afável
Na sapiência de que a perfeição não existe
Minha mente insiste em reverberar
"És perfeita"
E quando estou amparado em meus alicerces
Confiante de meus preceitos
Eis que teu vulto irrompe
Levando ao chão todo meu cosmo
Abalando cada corpúsculo de meu ego
A incerteza prepondera...
(Carlos Henrique Vicente)
Grito, por dentro calado
No cerne sinto o ardor
Prostrado em meus devaneios
Permaneço...
Fitando o muramento e discorrendo
Como pôde, o destino ser assim tão atroz
Me alvejando direto no ventre
Com seu olhar angelical
E o sorriso infernal
A brisa, a penumbra, tudo me recorda a ti
Feito truão perco meu comedimento
Obro como néscio, mesmo atinando
Incapaz de evitar, as dúvidas me alagam
Como posso eu, ser pechoso, granjeá-la?
Teria ela desvelo por minha pessoa?
Ou seria apenas um clichê comportamental
Daqueles que exibimos rotineiramente
No caso dela, costumeiramente
Afinal, tal venustidade
Certamente atrai sobejo postulantes
Mas, mesmo que a quimera não torne-se régia
Que o anseio não seja abrandecido
Ei de lembrar-me daquela noite
De teu riso, de seu olhar primoroso
Teus lábios portentosos
E, claro, de teu encantamento
Tua voz, tão afável
Na sapiência de que a perfeição não existe
Minha mente insiste em reverberar
"És perfeita"
E quando estou amparado em meus alicerces
Confiante de meus preceitos
Eis que teu vulto irrompe
Levando ao chão todo meu cosmo
Abalando cada corpúsculo de meu ego
A incerteza prepondera...
(Carlos Henrique Vicente)
19/07/2012
(IN) CONSEQUÊNCIA
Eu tentei ser humano mas não pude
Esta cova de vícios me enterra
Andando frio e escalpado nesta terra
Não há um só remédio que me cure
Um espírito desenganado, manchado e rude
Perambulando nos confins desta terra
Insatisfeito por eras e eras...
Não há um só lugar que eu não mude
Ser ninguém é meu costume
Nunca fui sendo ser
Já não vejo e deixei de crer:
Não há um só amor sem ciúme
(Eduardo Monga, SP, março de 2012.)
Eu tentei ser humano mas não pude
Esta cova de vícios me enterra
Andando frio e escalpado nesta terra
Não há um só remédio que me cure
Um espírito desenganado, manchado e rude
Perambulando nos confins desta terra
Insatisfeito por eras e eras...
Não há um só lugar que eu não mude
Ser ninguém é meu costume
Nunca fui sendo ser
Já não vejo e deixei de crer:
Não há um só amor sem ciúme
(Eduardo Monga, SP, março de 2012.)
18/07/2012
ELA, AOS TRINTA E TRÊS
Ela havia imaginado tudo bem diferente.
Ainda com este Fusca enferrujado.
Uma vez, quase casou-se com um padeiro.
Antes, costumava ler Clarice, depois, Cabral.
Agora ela prefere resolver charadas na cama.
Dos homens, não tolera abusos.
Por anos foi petista, mas à sua maneira.
Nunca recortou cupons de desconto em jornais.
Quando pensa no Afeganistão, passa mal.
Seu último namorado, o intelectual, gostava de apanhar.
Vestidos de batique esverdeados, largos demais para ela.
Pulgões nas folhas da samambaia.
Na verdade, queria pintar, ou emigrar.
Sua tese, Conflitos religiosos no Nordeste, 1889
a 1930, e suas marcas na música popular:
bolsas, começos, e uma gaveta cheia de notas.
De vez em quando, sua vó manda-lhe dinheiro.
Danças acanhadas no banheiro, caretinhas,
horas de hidratante ao espelho.
Ela diz: pelo menos não morrerei de fome.
Quando chora, fica com cara de dezenove.
(Hans Magnus Enzensberger. Tradução e Contextualização de Ricardo Domeneck)
- Referência poética enviada por Flávia Soufer
Ela havia imaginado tudo bem diferente.
Ainda com este Fusca enferrujado.
Uma vez, quase casou-se com um padeiro.
Antes, costumava ler Clarice, depois, Cabral.
Agora ela prefere resolver charadas na cama.
Dos homens, não tolera abusos.
Por anos foi petista, mas à sua maneira.
Nunca recortou cupons de desconto em jornais.
Quando pensa no Afeganistão, passa mal.
Seu último namorado, o intelectual, gostava de apanhar.
Vestidos de batique esverdeados, largos demais para ela.
Pulgões nas folhas da samambaia.
Na verdade, queria pintar, ou emigrar.
Sua tese, Conflitos religiosos no Nordeste, 1889
a 1930, e suas marcas na música popular:
bolsas, começos, e uma gaveta cheia de notas.
De vez em quando, sua vó manda-lhe dinheiro.
Danças acanhadas no banheiro, caretinhas,
horas de hidratante ao espelho.
Ela diz: pelo menos não morrerei de fome.
Quando chora, fica com cara de dezenove.
(Hans Magnus Enzensberger. Tradução e Contextualização de Ricardo Domeneck)
- Referência poética enviada por Flávia Soufer
13/06/2012
APONTAMENTO
A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.
Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.
Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.
Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que era eu um vaso vazio?
Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmo, não conscientes deles.
Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.
Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-o especialmente, pois não sabem por que ficou ali.
(Álvaro de Campos)
- Referência poética enviada por Flávia Soufer
A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.
Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.
Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.
Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que era eu um vaso vazio?
Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmo, não conscientes deles.
Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.
Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-o especialmente, pois não sabem por que ficou ali.
(Álvaro de Campos)
- Referência poética enviada por Flávia Soufer
25/05/2012
RISOS
Ri, criança, a vida é curta,
O sonho dura um instante.
Depois... o cipreste esguio
Mostra a cova ao viandante!
A vida é triste - quem nega?
- Nem vale a pena dizê-lo.
Deus a parte entre seus dedos
Qual um fio de cabelo!
Como o dia, a nossa vida
Na aurora é - toda venturas,
De tarde - doce tristeza,
De noite - sombras escuras!
A velhice tem gemidos,
- A dor das visões passadas -
A mocidade - queixumes,
Só a infância tem risadas!
Ri, criança, a vida é curta,
O sonho dura um instante.
Depois... o cipreste esguio
Mostra a cova ao viandante!
(Casimiro de Abreu)
- Referência poética enviada por Flávia Soufer
Ri, criança, a vida é curta,
O sonho dura um instante.
Depois... o cipreste esguio
Mostra a cova ao viandante!
A vida é triste - quem nega?
- Nem vale a pena dizê-lo.
Deus a parte entre seus dedos
Qual um fio de cabelo!
Como o dia, a nossa vida
Na aurora é - toda venturas,
De tarde - doce tristeza,
De noite - sombras escuras!
A velhice tem gemidos,
- A dor das visões passadas -
A mocidade - queixumes,
Só a infância tem risadas!
Ri, criança, a vida é curta,
O sonho dura um instante.
Depois... o cipreste esguio
Mostra a cova ao viandante!
(Casimiro de Abreu)
- Referência poética enviada por Flávia Soufer
A DANÇA DA PSIQUÊ
A dança dos encéfalos acesos
Começa. A carne é fogo. A alma arde. A espaços
As cabeças, as mãos, os pés e os braços
Tombara, cedendo à ação de ignotos pesos!
É então que a vaga dos instintos presos
— Mãe de esterilidades e cansaços —
Atira os pensamentos mais devassos
Contra os ossos cranianos indefesos.
Subitamente a cerebral coréa
Pára. O cosmos sintético da Idéa
Surge. Emoções extraordinárias sinto...
Arranco do meu crânio as nebulosas.
E acho um feixe de forças prodigiosas
Sustentando dois monstros: a alma e o instinto!
(Augusto dos Anjos)
- Referência poética enviada por Daniel Palacios
A dança dos encéfalos acesos
Começa. A carne é fogo. A alma arde. A espaços
As cabeças, as mãos, os pés e os braços
Tombara, cedendo à ação de ignotos pesos!
É então que a vaga dos instintos presos
— Mãe de esterilidades e cansaços —
Atira os pensamentos mais devassos
Contra os ossos cranianos indefesos.
Subitamente a cerebral coréa
Pára. O cosmos sintético da Idéa
Surge. Emoções extraordinárias sinto...
Arranco do meu crânio as nebulosas.
E acho um feixe de forças prodigiosas
Sustentando dois monstros: a alma e o instinto!
(Augusto dos Anjos)
- Referência poética enviada por Daniel Palacios
14/05/2012
TRIO DAS SELVAS
Lá...
dentro dela,
fêmea das selvas.
Mulher bicho,
fera...
Corre pela mata,
foge dos piratas,
nada pelos rios,
traga arrepios.
Por lá...
as vozes dos gritos.
No abismo
teus três vultos.
Quase um insulto.
Quase uma guerra
nela...
Abocanha a floresta,
lambe estranhezas,
confessa belezas,
mistérios, pecados
desse bicho safado.
Nua...
dentro dela
ela pula
com curvas,
cabelos, cintura.
Nela
vivem três:
a índia,
a pantera,
a serpente.
Todas lá...
nas águas ferventes.
Ocultas...
pelas profundezas
elas dançam,
mergulham.
Quase se afogam,
quase se matam.
(Flávia Soufer)
Lá...
dentro dela,
fêmea das selvas.
Mulher bicho,
fera...
Corre pela mata,
foge dos piratas,
nada pelos rios,
traga arrepios.
Por lá...
as vozes dos gritos.
No abismo
teus três vultos.
Quase um insulto.
Quase uma guerra
nela...
Abocanha a floresta,
lambe estranhezas,
confessa belezas,
mistérios, pecados
desse bicho safado.
Nua...
dentro dela
ela pula
com curvas,
cabelos, cintura.
Nela
vivem três:
a índia,
a pantera,
a serpente.
Todas lá...
nas águas ferventes.
Ocultas...
pelas profundezas
elas dançam,
mergulham.
Quase se afogam,
quase se matam.
(Flávia Soufer)
XIII
“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”
E eu vos direi:”Amai para entende-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas”.
(Olavo Bilac)
- Referência poética enviada por Daniel Palacios
03/05/2012
SÉRIE MINICRÔNICAS PAULISTAS
Todo dia um amor começa e outro termina...
No mesmo banco de praça eu vi um casal em prantos terminando o relacionamento, enquanto ao lado um outro inicia uma nova paixão num beijo ardente e tentador.
A vida é assim...e nesse sentido enviezado seguimos a vida.
Onde um chora outro ri, e onde outro ri um chora
A desbalança das vontades.
Tudo flutuando no daqui a pouco......(Barcos sem culpas)
Tudo encontrando destino próprio...(Buracos de gente)
E a pergunta fica: Onde isso vai chegar conosco? (Portos sem farois)
Cada brecha é uma fechadura.
Todo final é uma porta...para um novo começo nos confins das janelas...
(Eduardo Monga)
Todo dia um amor começa e outro termina...
No mesmo banco de praça eu vi um casal em prantos terminando o relacionamento, enquanto ao lado um outro inicia uma nova paixão num beijo ardente e tentador.
A vida é assim...e nesse sentido enviezado seguimos a vida.
Onde um chora outro ri, e onde outro ri um chora
A desbalança das vontades.
Tudo flutuando no daqui a pouco......(Barcos sem culpas)
Tudo encontrando destino próprio...(Buracos de gente)
E a pergunta fica: Onde isso vai chegar conosco? (Portos sem farois)
Cada brecha é uma fechadura.
Todo final é uma porta...para um novo começo nos confins das janelas...
(Eduardo Monga)
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